Paróquia Nossa
Senhora Aparecida

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Artigos e reflexões › 17/07/2015

(Breve ensaio sobre sete advertências do papa Francisco) – parte 4 de 4 textos

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Sexta advertência: Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno

O papa Francisco é bem explícito: “Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E uma vez comunicado, o bem radica-se e se desenvolve. Por isso quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem” (n.9).

Nosso amor fraterno é uma extensão de nós para além de nós mesmos. Como diz o papa, é “primariamente uma atenção prestada ao outro “considerando-o um só consigo mesmo” (São Tomás de Aquino). E o papa continua: “Esta atenção amiga é o início de uma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo procurar efetivamente o seu bem. Isto implica apreciar o pobre na sua bondade própria, com o seu modo de ser, com a sua cultura, com a sua forma de viver a fé. O amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente de sua aparência: “Do amor, pelo qual uma pessoa é agradável à outra, depende que lhe dê algo de graça” (São Tomás). E o documento papal prossegue: “Quando amado, o pobre ´é estimado como de alto valor” (São Tomás), e isto diferencia a autêntica opção pelos pobres de qualquer ideologia, de qualquer tentativa de utilizar os pobres ao serviço de interesses pessoais ou políticos. Unicamente a partir desta proximidade real e cordial é que podemos acompanhá-los adequadamente no seu caminho de libertação. Só isto tornará possível que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como ´em casa´. Não seria este estilo a maior e mais eficaz apresentação da boa nova do Reino?” (João Paulo II; Evangelii Gaudium n. 199).

Em uma passagem um pouco mais à frente, Francisco vai dizer: “Cada vez que nos encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus”. “Cada vez que os nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina-se mais a nossa fé para reconhecer a Deus. Em consequência disto, se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários. A tarefa da evangelização enriquece a mente e o coração, abre-nos horizontes espirituais, torna-nos mais sensíveis para reconhecer a ação do Espírito, faz-nos sair dos nossos esquemas espirituais limitados” (Evangelii Gaudium n. 272).

 

Senhor Jesus, tu és o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa. Identificaste-te especialmente com os mais pequeninos. Assim recordas a nós cristãos e cristãs de que somos chamados a cuidar dos mais frágeis da Terra. Desse modo, ajuda-nos a ter boa percepção da realidade ao nosso redor, a ter sensibilidade diante das necessidades dos outros, a reconhecer o outro, a ter preocupação com o outro para que atinja seu bem almejado, principalmente, se esse se situar onde se situa a tua vontade, Jesus. Somo todos frágeis e limitados, mas se nos dermos as mãos teremos a tua força para avançar e gozarmos de grande proximidade contigo.

 Sétima advertência: Não deixemos que nos roubem a força missionária

Existe o perigo de nos ser roubada a força missionária, mas diante dessa tentação, Deus nos dá os meios para sairmos dela vitoriosos (cf. 1Cor 10,13). Paulo confessa que o Senhor lhe disse: “Para você basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder” (2Cor 12,9). Em vista disso, Paulo acrescenta: “Por isso eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo, pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

A pastoral decididamente missionária é fonte das maiores alegrias para a Igreja. “Sabemos bem que a vida com Jesus se torna muito mais plena e, com ele, é mais fácil encontrar o sentido para cada coisa. É por isso que evangelizamos. O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele (…). Se uma pessoa não o descobre presente no coração mesmo da entrega missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, faltam-lhe força e paixão” (Evangelii Gaudium n. 266). A força missionária, sendo necessário para isso o dom de nós mesmos,  pode ser tal que “talvez o Senhor se sirva da nossa entrega para derramar bênçãos noutro lugar do mundo, aonde nunca iremos” (Evangelii Gaudium n. 279).

Graças ao sacramento da Crisma ganhamos “uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz” (Catecismo da Igreja Católica n. 1303).

Oremos: “O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus, para sempre. Amém” (Ap 7,12).

 

Senhor,

se eu nunca vesti um entusiasmo missionário tamanho “G”;

se eu já me deixei abater na alegria da evangelização;

se eu já deixei respingar em mim fagulhas de dúvida diante da beleza do tesouro imperdível da esperança;

se eu já causei alvoroço e deixei de somar dentro da comunidade;

se eu já desconsiderei a tua importância e do seu Evangelho em minha vida e no meu modo de proceder;

se eu já passei por momentos em que nem dei bola ao ideal do amor fraterno;

se eu já me senti sem força na minha força missionária;

o que faço, o que faço?

A mim e a tantos outros que se veem pequenos, sem as melhores condições físicas e espirituais, apesar de tudo, Maria, “dá-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga.

Estrela da nova evangelização, ajuda-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do evangelho chegue até os confins da terra e nenhuma periferia fique privada de sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,

manancial de alegria para os pequeninos,

roga por nós.

Amém, Aleluia!” (Evangelii Gaudium n. 288).

 

Clemente Raphael Mahl
rafaeli@uol.com.br
Conselho Nacional do Laicato do Brasil – Região Episcopal Sant´Ana – SP

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